9 de janeiro de 2015

Dossiê Chocolate: Grande vilão, um incompreendido ou apenas um bom aliado da saúde?

Quem é que não gosta de chocolate? Chocolate amargo, ao leite, branco, diet, em pó etc.

Hoje em dia, encontramos as mais variadas versões desse alimento milenar, que se origina do Cacaueiro, cujo nome científico é Theobroma cacao, planta nativa de uma região que vai do México, passando pela América Central e expandindo-se até a América do Sul. Seu nome científico deriva de palavras gregas que significam “alimento dos deuses”. De fato, não há quem negue que essa guloseima tão consumida e apreciada não tenha um quê de especial.

Atualmente, em nossa sociedade, o chocolate é símbolo do romantismo traduzido em caixas e cestas de chocolate que são presenteados principalmente no Dia dos Namorados, representa a alegria das crianças e adultos na Páscoa, já que é o famoso protagonista vendido em larga escala em formato de ovos. Além disso, desde a Antiguidade, o chocolate é usado no tratamento de beleza, tais como em banhos relaxantes de espuma, no qual faz o papel de revitalizar e hidratar a pele ressecada e desnutrida. Essa prática está em evidência, e os banhos são feitos em clínicas de estética, mas já existem produtos próprios à base de cacau para serem preparados em casa.

O chocolate, dessa forma, não parece ser nem de longe o vilão da história, mas estudos comprovam que ele possui em sua composição uma química venenosa. O composto mais potente do chocolate, um alcaloide de planta chamada teobromina, que é ligeiramente amargo ao paladar, pode ser venenoso para algumas espécies, principalmente para os cães.

O alerta foi feito pela Dog Help Network, uma rede de ajuda aos cães que observou que: “O Dia dos Namorados é o único grande dia no qual os cães são levados para as salas de emergência por causa do chocolate ingerido por eles”.

Muitos dizem que a gordura e o açúcar nos doces fazem bem ao animal, mas o que está em questão é a ingestão do alcaloide teobromina.


O que é um alcaloide?

É uma substância básica que deriva, em sua grande essência, de plantas, mas também pode ser derivada de fungos, bactérias e até mesmo de animais. Contêm em sua fórmula os elementos nitrogênio, oxigênio, hidrogênio e carbono. Normalmente, conhecemos alguns de seus nomes cujo sufixo é ina, como a cafeína (do café, que é chamada de pseudoalcaloide, por ser, na verdade, uma xantina), a cocaína (da coca), a papaverina/morfina/heroína/codeína (da papoula) são alguns exemplos.

Nas plantas, o alcaloide pode existir no estado livre, como sais ou como óxidos, e corresponde aos principais terapêuticos naturais com ação biológica anestésica, analgésica, psicoestimulantes, neurodepressores, etc.

A teobromina no chocolate


A teobromina foi descoberta nos grãos de cacau em 1841. Ela é conhecida por possuir um leve efeito estimulante em humanos, o que explica juntamente com os efeitos da cafeína e alguns outros compostos, a ação estimulante e energética que as pessoas têm ao comer chocolate.

No entanto, o excesso de teobromina no organismo humano pode causar náuseas e até mesmo anorexia, segundo relato da National Hazardous Substances Database (Base de Dados Nacional de Substâncias Perigosas): "Afirma-se que ‘em grandes doses’ a teobromina pode causar náuseas e anorexia, e que a ingestão diária de 50-100 gramas de cacau (0,8-1,5 gramas de teobromina) por seres humanos tem sido associada à sudorese, tremor e dor de cabeça”.

Em termos da toxicologia, a dose letal mediana (DL50 ou LD50, do inglês Lethal Dose) é a dose necessária de uma dada substância ou tipo de radiação para matar 50% de uma população em teste. Normalmente, o cálculo é feito a partir dos miligramas da substância por quilograma de massa corporal dos indivíduos testados. O DL50 é usado frequentemente como um indicador da toxicidade aguda de uma substância, e quanto maior a dose que será letal, menos tóxica ela é considerada.

No caso da teobromina, a DL50 é cerca de 1000 mg/kg em humanos. Em gatos é de 200 mg/kg, e em cães é de 300 mg/kg, o que significa que estas duas espécies possuem maior risco. Apesar, dos gatos correrem mais perigo, são os cães os animais mais propensos a ingerir doces. É claro que esse risco varia conforme o tamanho, forma e raça do animal.

Outro dado importante, é que a teobromina concentra-se mais nos chocolates escuros do que naqueles classificados “ao leite” e “branco”. Os efeitos do chocolate escuro para os caninos são agudos, o que indica alta periculosidade.

Foi comprovado que os efeitos da teobromina pode ser clinicamente útil, em pequenas quantidades, pois favorece o aumento da frequência cardíaca, dilata os vasos sanguíneos reduzindo a pressão arterial. Abre as vias aéreas e estimula a produção de urina, considerado assim, um diurético. Tais efeitos em uma pessoa são considerados positivos, se utilizados em um tratamento clínico.

Entretanto, em um cão, todos esses efeitos são adicionados à náusea aguda, convulsões e hemorragia interna. E, em muitos casos, letal para o animal.

Vimos que a teobromina faz mal aos cachorros, e em excesso nos humanos também pode ser perigoso. Mas, calma, nem tudo está perdido. Há um estudo que comprova que o chocolate, consumido com moderação, é claro, pode fazer bem ao coração humano.

Chocolate na prevenção de doenças cardíacas e derrames

De acordo com uma pesquisa feita na Alemanha, o chocolate pode ser bom para o coração, para a grande felicidade dos amantes desse “manjar dos deuses”. O estudo levou oito anos para ser concluído, e a equipe de pesquisa acompanhou a saúde de quase 20.000 pessoas que mantêm o hábito de comer essa guloseima. Os pesquisadores compararam a quantidade de chocolate composta na dieta para o número de ataques cardíacos e derrames que as pessoas tinham. Segundo o pesquisador Brian Buijsse: “A boa notícia é que o chocolate não é tão mau como se costumava pensar, e pode até reduzir o risco de doenças cardíacas e derrame”.

Ainda de acordo com o pesquisador, a equipe descobriu que o chocolate escuro era o tipo mais saudável para comer: “o chocolate escuro apresenta efeitos fantásticos, já o chocolate ao leite apresenta menos, e o chocolate branco não possui efeitos”, disse ele.

O estudo alemão revelou que as pessoas que comiam chocolate (em barra, e uma por semana), reduziam o risco de ter um ataque cardíaco em 27%. O risco de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) foi reduzido em até 48%. Os especialistas em nutrição acreditam que o que faz bem ao coração são os flavonoides compostos no chocolate.

Flavonoides ou bioflavonoides é a designação dada a um grande grupo de metabólitos secundários da classe dos polifenóis, componentes de baixo peso molecular, e que são encontrados em várias espécies vegetais. Os diferentes tipos de flavonoides são encontrados em frutas, flores e vegetais em geral, bem como em alimentos processados como vinho e chá.

Os flavonoides são encontrados nas sementes de cacau, por isso o chocolate escuro tem mais efeito, pois possui mais cacau. O chocolate ao leite, por sua vez, tem mais gordura do que cacau.


Foto: Reprodução / Portaldodog.com.br

A pesquisa também mostrou que esses flavonoides presentes no chocolate também ajudam na redução da pressão arterial (mesmo efeito produzido pela teobromina). Entretanto, Buijsse alerta quanto ao consumo excessivo de chocolate: “Comer quantidades elevadas de chocolate mais contribuem para um provável ganho de peso que qualquer outra coisa. O ideal seria que as pessoas começassem a comer chocolate em pequenas quantidades substituindo, de preferência, outros alimentos de alto teor calórico como lanches ou outros tipos de doce”.

Qual é a conclusão que podemos tirar disso? Primeiro, não dê chocolate aos cães. A teobromina contida nesse doce faz mal a eles, e, além disso, existem inúmeros alimentos nutritivos e incrivelmente saborosos que farão a alegria de seus mascotes.

Segundo, o chocolate possui pontos positivos e negativos pautados em pesquisas feitas em laboratório, que mostram que você não precisa cortar o chocolate radicalmente da sua vida, mas também não deve cometer o erro de comê-lo aos montes. O excesso é prejudicial em qualquer aspecto, e isso não é segredo para ninguém. (Jornal Ciência)

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