20 de maio de 2015

CPI vai pedir exumação do corpo de ex-deputado paranaense; ex-mulher nega que ele esteja vivo

A CPI da Petrobras na Câmara vai pedir a exumação do corpo do ex-deputado José Janene (PP-PR), por suspeita de que ele ainda está vivo. Os deputados receberam informações de que o ex-parlamentar estaria atualmente na América Central. A viúva do ex-deputado, Stael Fernanda Janene será convocada para prestar depoimento à CPI. “Vai ter a exumação do corpo. Vou montar uma comissão de deputados para acompanhar a exumação, colher o DNA da família e ver se é ele mesmo que está lá sepultado”, disse ao jornal O Estado de S.Paulo o presidente da comissão, deputado Hugo Motta(PMDB-PB).
O homem que mandou no Brasil

Empresário que mantinha contratos com prefeituras, ex-deputado José Janene saiu de Londrina para dominar a política nacional.

Janene morreu em 14 de setembro de 2010. Réu no processo do mensalão por suspeita de ter recebido R$ 4,1 milhões quando presidia o PP, Janene era acusado de formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. No curso da Operação Lava Jato, que investiga desvios na Petrobras, Janene é apontado como responsável por organizar o esquema de corrupção na estatal, segundo depoimentos do doleiro Alberto Youssef, um dos personagens centrais da Lava Jato. O ex-parlamentar fazia com que as cúpulas das siglas envolvidas fossem beneficiadas diretamente.

“Pelo amor de Deus, isso é um absurdo. As pessoas têm que ter mais respeito pela família dele, ele deixou filhos. Esse tipo de gente deveria ser processada”, declarou Stael sobre a desconfiança sobre a morte do ex-marido. Ela nega que tenha afirmado a deputados da CPI que suspeita que Janene estaria vivo, conforme noticiou o Blog Radar On-line, da revista Veja, nesta quarta-feira (20).
Filha quer que deputado se retrate

Daniele Janene, filha de José Janene, reagiu e atacou Hugo Motta. Segundo ela, o deputado está fazendo o povo de palhaço e mostra desconhecimento em relação à religião islâmica. Seu pai era muçulmano e, de acordo com Daniele, houve velório com exposição do corpo na mesquita de Londrina.Roberto Custódio/Arquivo JLRéu no processo do mensalão por suspeita de ter recebido R$ 4,1 milhões quando presidia o PP, Janene era acusado de formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

“Eu gostaria que esse deputado (Hugo Motta) ligasse para mim ou para ela ( Stael Fernanda) e comprovasse isso. Estão fazendo o povo brasileiro de palhaço e os jornalistas também”, disse Daniele, acrescentando: “Esse deputado, além de estar falando uma bobagem sem tamanho, está desrespeitando a religião dele”.

Ela também disse duvidar de que Stael Fernanda, sua ex-madrasta, tenha repassado essa informação para a CPI. “Eu acompanhei até o último suspiro dele. Eu duvido que a Fernanda tenha falado isso para ele”, disse Daniele.

Ela disse que acompanhou o pai no Incor por 40 dias. Quando isso ocorreu, Stael Fernanda já estava inclusive separada de Janene, não tendo sequer ido ao Incor. “Meu pai era muçulmano. Ele disse que gostaria de passar pelo rito da religião dele, queria ser enterrado no cemitério islâmico de Londrina. Foi feito velório na mesquita em Londrina, ao qual foram várias personalidades. Na religião dele, não se enterra com caixão. O corpo precisa ser lavado por gente da família. Tem uma série de detalhes que a religião exige e foram feitas”, afirmou Daniele.

Ela pediu ainda uma retratação de Hugo Motta. “Eu gostaria muito que esse deputado, na mesma intensidade que falou essas baboseiras, se retratasse”, disse Danielle, pedindo também mais seriedade aos trabalhos da CPI. “Em vez de tirar o foco, colocar uma notícia fantasiosa, que fizessem um trabalho sério”, reclamou.
Depoimento

A ex-mulher de Janene, Stael Fernanda, afirmou a reportagem nesta quarta-feira que ainda não foi convocada para depor na CPI da Petrobras, que investiga desvios na estatal. Ela disse ainda que, se realmente for chamada pelos parlamentares, “não teria nada a dizer”. Stael se divorciou de Janene em 2008, dois anos antes da morte do ex-parlamentar.

A ex-mulher negou ainda que tivesse conversado com qualquer um dos deputados que integra a CPI. Conforme noticiou o portal da Câmara dos Deputados na última quinta-feira (14), o deputado Altineu Cortes (PR-RJ) disse ter sido procurado por ela em Curitiba. No encontro, segundo o portal, ela teria dito que queria depor para “desmascarar” o doleiro Alberto Youssef, porque ele estaria mentindo em suas declarações.

“São boatos. Não fui convocada, não fui procurada. Eu nunca estive com esse deputado, nem nunca ouvi dizer o nome desse deputado, não sei de onde ele tirou que esteve comigo, isso é uma mentira absurda”, afirmou Stael Fernanda.
Outro lado

A reportagem tentou contato com o deputado Altineu Cortes. A assessoria dele afirmou que o parlamentar realmente nunca esteve com a ex-mulher de Janene, mas não soube explicar o motivo de o Portal da Câmara dos Deputados ter repercutido a informação. Hugo Motta, presidente da CPI, não atendeu aos telefonemas da reportagem. (Inf Gazeta do Povo)

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