23 de agosto de 2015

Vizinho guardou corpo de menina embaixo de cama por 5 dias

Após ser detido na sexta-feira (22), o suspeito de matar a menina Ana Gabrielle Santos Ferreira, de 6 anos, em Conchal (SP), confessou à polícia que manteve o corpo da criança escondido embaixo da cama até a quinta-feira (20), quando a garota foi encontrada morta. Marcelo Pedroni, de 31 anos, é vizinho da família da menina no conjunto habitacional CDHU e confessou o crime na sexta, mesmo dia em que a criança foi enterrada. A prisão causou a revolta de moradores, que queriam linchar o suspeito.

Marcelo Pedroni teve a prisão temporária decretada e foi encaminhado para a Penitenciária de Itirapina (SP). Ele vai responder por homicídio qualificado. As qualificações, como motivo fútil e ocultação de cadáver, ainda serão apuradas. Segundo o delegado responsável pelo caso, as autoridades chegaram até o suspeito, que mora um andar abaixo do apartamento da tia de Ana Gabrielle, depois de serem avisadas por vizinhos de que a havia um cheiro forte na casa.


Marcelo Pedroni teria confessado crime em Conchal (Foto: Reprodução/EPTV)Marcelo Pedroni teria confessado crime em
Conchal (Foto: Reprodução/EPTV)
A polícia entrou no local, onde se encontrava apenas a mulher do suspeito, e saiu em busca do homem, que voltava do trabalho. Após algumas perguntas, Pedroni confessou o crime, mas não explicou o motivo. Ainda segundo o delegado, o suspeito disse que não abusou sexualmente da criança, estava sob o efeito de drogas e bebida alcoólica e escondeu o corpo sob a cama por quase cinco dias. Em seguida, na quinta-feira, ele jogou o corpo no terreno onde foi encontrado.
Para apurar o caso, foi instaurado um inquérito e a perícia vai analisar resquícios de sangue no apartamento do homem. No interior da residência, foram encontrados alguns objetos infantis que foram recolhidos e serão investigados. A mulher foi levada pela polícia para ser preservada. “A esposa e outros familiares dele foram conduzidos para serem preservados, eles estavam no apartamento também, não temos certeza se estavam envolvidos, mas foram conduzidos para serem preservados”, explicou o capitão da Polícia Militar de Araras (SP), Roney Alexandre de Lima.
Moradores depredaram comércio e outros em Conchal (Foto: Reginaldo dos Santos/EPTV)Moradores depredaram comércio e outros em
Conchal (Foto: Reginaldo dos Santos/EPTV)

Confusão
O tumulto teve início por volta das 17h. Para conter a revolta dos moradores, mais de 300 homens entraram em ação. Além do Corpo de Bombeiros de Conchal, 150 PMs de Limeira, Conchal e Araras também participaram da operação, além de 150 guarda civis municipais de 10 cidades como Rio Claro, Aguaí, Piracicaba e Mogi Guaçu (SP).
A população queria linchar o suspeito e depredou carros da polícia, a delegacia, Unidade de Saúde da Família e a Prefeitura do município. Foi preciso usar balas de borracha, gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral.

Em meio à confusão, vândalos aproveitaram a situação para roubar alguns comércios. Depois de quebrar os vidros de uma loja infantil, foram levadas várias peças de roupas. Já na cooperativa de crédito em que Alessandra Simoso é gerente, entraram para bagunçar. “Eu estava em uma cidade vizinha, mas tive que voltar porque o dono do prédio avisou que tinham depredado. Destruição das portas, gavetas, documentos jogados, mas graças a Deus não levaram nada”, comentou.
“A gente sabe que foi um crime hediondo, bárbaro, mas existem outras formas, muito mais cívicas e ordeiras, para que as pessoas possam manifestar seu repúdio a esse tipo de ação”, falou o major da PM de Limeira, Luiz Raposo Borges de Moraes.
Moradores de Conchal se revoltam e tentam linchar suspeito de matar menina de 6 anos (Foto: G1)Moradores de Conchal se revoltam e tentam linchar suspeito de matar menina de 6 anos (Foto: G1)

Entenda o caso
O corpo de Ana Gabrielle Santos Ferreira foi enterrado sob forte comoção na manhã de sexta-feira (21) no cemitério municipal da cidade. A menina de 6 anos estava desaparecida desde a noite de sábado (15).
Ana Gabrielle Santos Ferreira  estava em condomínio do CDHU em Conchal quando sumiu (Foto: Reprodução/ Facebook)Ana Gabrielle Santos Ferreira foi encontrada
morta na quinta-feira (Foto: Reprodução/ Facebook)
Ana Gabrielle foi encontrada em um terreno perto da casa da tia, no CDHU, onde a menina estava quando desapareceu.  A criança havia passado o dia na casa da tia em um condomínio. Por volta das 20h, a tia e a prima saíram. Em seguida, a garota foi atrás da prima e desapareceu. Parentes e amigos saíram pelas ruas espalhando cartazes e perguntando se alguém havia visto a criança.

Corpo
A família disse acreditar que o corpo da criança tenha sido deixado no local, na quinta-feira,após as buscas realizadas pelas autoridades. “Ela não estava ali. A gente tinha vasculhado todo aquele lugar. Esse corpo foi colocado hoje cedo, de madrugada”, afirmou a tia, Zuleide Ferreira.
“É muita crueldade fazer uma coisa dessas. Não tem condições, a gente tem que descobrir e ir atrás desse assassino. Ele tem que pagar, porque a menina era indefesa, a mãe está sofrendo, a situação dela [está ruim], imagina agora sem a filha dela”, falou Rosângela Ferreira, tia de Ana Gabrielle, na quinta à EPTV.
Familiares e amigos se despediram de Ana Gabrielle em Conchal (Foto: Claudia Mourão/EPTV)Familiares e amigos se despediram de Ana
Gabrielle em Conchal (Foto: Claudia Mourão/EPTV)
A Guarda Municipal informou que a criança estava coberta com um lençol, dentro de um saco plástico. Além disso, as mãos da criança estavam amarradas e havia ferimentos de faca no pescoço e no corpo.

Desaparecimento
Rosângela Alves Ferreira, tia da menina, contou que, na noite de sábado, ela, o namorado, a sobrinha e a filha de 10 anos estavam no apartamento. "A Ana estava comendo o bolo que fiz para ela", lembrou a tia.
De acordo com a mulher, em determinado momento ela desceu as escadas do prédio e a filha foi atrás, levando uma bolsa. Quando as duas voltaram, a criança não estava mais na sala. "Perguntei para o meu namorado e ele disse que ela tinha descido atrás da gente", afirmou.
"Eu só dei uma saidinha de três a quatro minutos e quando voltei para dentro ela já não estava mais. Eu acho que ela desencontrou o caminho e na hora que entramos e vimos que ela não estava e descemos, ela pode ter corrido para a rua, alguém pode ter chamado. Está um mistério muito grande", falou Rosângela. Desde então, ninguém mais teve informações sobre o paradeiro da criança.
Sem notícias, a mãe da garota, Suzana dos Santos Ferreira, não conseguiu comer e desmaiou. Ela teve de tomar soro e ficou sob efeito de calmantes, de acordo com Rosângela. (G1)

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