29 de dezembro de 2015

Polícia interrompe velório e leva corpo de idosa para investigação

A polícia interrompeu o velório de uma idosa, na tarde desta segunda-feira (28), em Cocal (289 km de Teresina), no Piauí, após receber a denúncia de um irmão da vítima de que a morte da mulher teria ocorrido por agressões da própria filha.

Francisca da Silva Carvalho, 69, morava em casa com Maria de Fátima Carvalho Miranda, 43. Segundo a denúncia, na noite do sábado (26), a idosa teria levado uma cadeirada e um pisão na cabeça, que teriam resultado em sua morte no dia seguinte. Inicialmente, o atestado de óbito apontou morte natural.

Segundo o investigador da Polícia Civil Walter Brune, além do irmão da vítima, outras denúncias recebidas pelo aplicativo WhatsApp já davam conta de que a idosa era agredida pela filha.
"Há uns dias recebi a informação de que uma filha agredia sua mãe e iniciei essas investigações. Coincidiu que ontem [segunda-feira] o irmão dela fez o registro de que sua irmã tinha sido agredida e morrido", afirmou. 
Com a denúncia, a polícia resolveu ir até o local do velório e acionou o IML (Instituto Médico Legal) para recolher o corpo para investigação.
O agente explica que, ao ver o corpo, percebeu alguns hematomas. 
Wenddel Veras/Blog do Coveiro
Maria de Fátima Carvalho Miranda, 43, suspeita de agredir a mãe até a morte
"A filha justificou os hematomas dizendo que ela caiu no chão, mas logo vi que a conversa não era essa. Ela também não demonstrava tristeza, estava tranquila. Comecei a ouvir um vizinho, e ele confirmou que dona Francisca era agredida pela filha", explicou.
Em depoimento à polícia, Fátima teria admitido as agressões, mas negou que tenha dado uma cadeirada ou qualquer outra agressão que tenha resultado na morte.
"Ela disse que naquela noite deu dois tapas, mas não deu uma cadeirada. Disse também que no outro dia ela amanheceu bem, que a encontrou morta sem motivo aparente na cama às 17h30. Só vamos tirar essas dúvidas quando o laudo vier", disse.
Sobre as agressões, Fátima deu uma justificativa pouco comum: "Ela disse que a agredia por perder a paciência porque ela chorava muito de dor".
A polícia agora espera o laudo conclusivo do IML de Teresina. Inicialmente, o corpo foi levado para análise do IML de Parnaíba, mas como não foram encontradas causas para a morte no corpo da idosa, um exame na cabeça só pode ser feito na capital do Piauí.
"Se o laudo constatar que o óbito foi por agressão, a filha será indiciada por lesão corporal seguida de morte. Caso não, será indiciada por maus-tratos a idoso", finalizou Brune.
UOL não conseguiu localizar Maria de Fátima. Ela não constituiu advogado e deve ser atendida por um defensor público.

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